quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Mesmo que...

... Não o entendas, dói-me a Tua ausência, e sinto a Tua falta duma forma que me quebra e faz cair.

Fico queda, muda, triste.
Isolada num recanto que construí, no meu mundo vazio sem Ti.

Mas a vida não pára, não espera e eu preciso de continuar.
Mesmo que me sinta aleijada.
Mesmo que me sinta incapacitada.

Preciso de continuar, mesmo que seja devagar.
Preciso de caminhar.
De respirar, mesmo que seja lentamente, ou apenas o suficiente.

Preciso de dançar, nessa música que me tocas, à distância, serenamente.
Preciso de voar.
De pousar, e ficar quieta, na memória da protecção do Teu abraço.

Preciso...
Preciso de Ti.

Mas, enquanto não regressas, vou continuar.
A caminhar.
A respirar.
Mesmo que a chorar.
E sempre, sempre, a sonhar...





sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Vou-te comer o coração



Tinha um coração doce, eu.
Tão doce e tão macio, tão meu.

Alguém me feriu, e ele sofreu.
No mais duro Inferno, ardeu.

Mas, um dia, reapareceu.
Do Tudo, do Nada, renasceu.

Ressuscitou, leve, e bateu.

Sem segredos, sem um véu,
a doçura e a delicadeza, ofereceu.

Tornou-se teu...

E, de novo, um dia, desapareceu.

Terá sido roubado, ou será que se perdeu?
A resposta, sei-a eu...
Sem coração, mas com a memória de quem não esqueceu...

Fui eu quem to comeu...












quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Fall



Aconteceu num Outono, há 25 anos.
Caí, devagar, como uma folha que perde lentamente o seu verde, antes de se soltar no vento.
Caí.
Devagar.
Outonal...

Caí em ti.
Caí nos teus braços.
Caí de amores por Ti.

E esse Amor cresceu, quente, num Tempo que se arrefecia.

Aconteceu num Outono, há 24 anos e, novamente, há 23 anos atrás.
Caí, na Dor da perda desse Amor, que arrefeceu e congelou dentro do meu peito.
Apenas para não sofrer.
Porque se não sentisse, não sofreria mais.
Caí no Esquecimento... De Ti, do que sentia por Ti.

E esse Amor perdeu-se, congelado, sem Ti.

Aconteceu num Outono, há um ano atrás.
Partiste.
Levou-te o Ar, levou-te o Mar, e levaste o meu coração contigo.
No espaço do meu coração que foi contigo, ficou esse imenso Amor, ressuscitado dois anos antes, numa Primavera que era fresca e ficou quente.
Quente do teu calor, quente de Ti.

E esse Amor esperou, esperou por Ti.

Aconteceu neste Outono.
Regressaste, mas não voltaste.
Partiste-me o coração, porque perdeste a Fé...
Num Futuro que poderia ser brilhante.
Num Amor que seria sempre vitorioso sobre qualquer dificuldade.
Porque desististe de Nós.

E o meu Amor sofreu, chorou por Ti.

E mesmo quando racionalizamos e pensamos que poderá ser melhor assim...
Mesmo quando sabemos que a Dor terá um fim...
Continua a doer.
Mesmo assim.


domingo, 23 de agosto de 2015

Solidão





É assim que vou morrer.
Só.
Foi assim a minha vida.
Só.
Foi assim no meu nascimento.
Só.
Porque haveria de ser diferente na Morte?

Porque haveriam de me dar mais importância nos meus últimos momentos de uma vida efémera, do que me deram nos efémeros momentos da minha vida?
Curta, segundo uns padrões; longa, segundo outros.
Não interessa a forma como se contabiliza o tempo de uma vida.
A Vida não é para ser contabilizada pelo escorrer de uma areia fina numa ampulheta divina.
A Vida é para ser vivida. Tão simples quanto isso.

Morrerei assim.
Eu, e tudo o que significo.
Eu, e tudo o que sei.
Ninguém me acompanhou o suficiente para passar o meu conhecimento.
Ninguém me vivenciou o suficiente, para apreciar o meu sentimento.

Morrerei assim, só, pois não levarei ninguém comigo.
Levo apenas tudo o que vivi, tudo o que sei, tal como todos os outros seres com quem partilhei este mundo, farão no seu momento final. Também eles, sós.

É imensurável a perda de tantos saberes e sentires...

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Qu'é que foi?...

Vais-me dizer que nunca acordaste assim?...
Despenteada?
Mal humorada?
Com cara de zangada?...

Ora bem... Não esperes que acredite!
Que seja a única neste mundo,
a ter umas olheiras até ao fundo
e a acordar esgazeada!!!


Mas, diz-me lá, o qu'é que foi?
Sim, acordei rabugenta,
absolutamente sonolenta...
Virada do avesso!

Nunca tiveste manhãs assim?...
Não me digas que não...
Não, não sou a única, não acredito!
Acordar "sempre fresca"?
Isso, para mim, é um belo mito!...

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Estrelas do Campo

O fim da tarde tem algo de mágico...
É a despedida de um Dia que já não volta, de um Tempo que não se recupera...
Mas é também a promessa de uma Noite que se aproxima, e de todo um Recomeço...

Espreguiço-me, em deleite, no calor doce do fim da tarde...
E desenrolo as minhas asas, guardadas e abrigadas de olhos curiosos.
Espreguiço, de novo, os braços e estico as minhas belas asas, azuis, brilhantes, fascinantes...

Gosto muito das minhas asas...

Levanto vôo, devagar, apoiada na brisa suave e morna...
Pairo... Flutuo... Danço...
Suspensa na brisa, avanço, sempre devagar, perto do solo...
Sabem quantas maravilhas, pequenas e mágicas, se escondem da nossa visão mundana, e apenas surgem quando olhamos de outra perspectiva? Milhares de milhões...
Tantas quantas as Estrelas de todos os Universos...

E por falar em Estrelas...
Sim, já as vejo...
As Estrelas do Campo... Despedidas da Primavera, Promessas do Verão, Magias do Outono...
Lindas, cheias da Força da Vida que as faz nascer, resistir, morrer em dádiva de outras Vidas, para que o ciclo se repita...

Olhem... Aqui estão...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O Mundo Escondido


Atrás das cortinas cerradas, existe outro Mundo.
Que não se vê, nem se ouve.
Apenas se sente, e apenas alguns o conseguem sentir.

Atrás das cortinas, existe...
Quietude, alternada com agitação.
Silêncio e barulho.
Poeira e limpeza.
Escuridão e luz.
Descanso e trabalho.

Atrás das cortinas, existe a preparação. E a finalização.

Só aqueles que vivem atrás das cortinas é que conhecem este Mundo.
Todos os outros, que as olham pela frente, não sabem.
Não conhecem.

Estão alheios da sua existência, da azáfama que precede o espectáculo.
A mesma azáfama que fica para depois, quando todos vão embora.
Alheios.
Ignorantes.

Sentados nas cadeiras macias, à espera, não sabem.
Não adivinham.

Por detrás das cortinas, está o silêncio. A escuridão.

Escurece-se a plateia, ilumina-se a frente das cortinas e, por breves momentos, o silêncio domina e misturam-se os dois mundos.
O Mundo Visível e o Mundo Escondido.

"Senhoras e senhores, o Espectáculo vai começar!..."


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Espera



Aqui estou, no meu canto.
Numa espera, tão singela e complicada, quanto o Amor que te tenho.

Os dias passam devagar (tão devagar!), sem Ti.
Dolorosos e ansiosos... Todos os dias...

Vejo aranhas que passeiam, numa caça de sobrevivência. Por vezes, percorrem o meu corpo que se enche de pó.
Vejo a luz mudar de intensidade, através das cortinas e das frestas das janelas, baças do Tempo.
Por vezes, vejo a suavidade do luar que me lembra o Teu toque.
Outras vezes, ouço a chuva, e o ar enche-se de humidade que me faz mal, me põe doente, me magoa o corpo de madeira e metal.

Mas eu espero.
Na quietude, eu espero.
Sei que não me abandonaste, que não me esqueceste.
Sei que Te lembras de mim, apesar da distância e dos dias que passam.

Sei que voltarás...
Que me tirarás as teias, e me limparás deste pó que é saudade, que são lágrimas secas de tempo.
Sei que voltarás, que me tocarás suave e delicadamente, e que me farás sentir essencial a Ti.
Sei que voltarás, pois não há Tempo nem Distância capaz de minar o Amor que me tens...
Sei que voltarás, e por Ti, espero...

Sei que voltarás... Um dia...

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Castelo


Estava ali.
Majestoso e imponente.
Inquebrável, embora mutável.
Uma fortaleza inexpugnável.

Todos os seres vivos dos mares e das costas a viam. 
Todos O conheciam. 
E temiam.

Excepto aquele ser burro e teimoso que insistia em invadir os seus domínios, que tentava dominar o reino.
Mas que só destruía, poluía, matava. 
Sem prestar tributo, sem honrar tradições... 
Sem venerar o Deus.
Não toleraria aqueles seres, que se achavam impunes.

Por isso, de vez em quando, Ele dava-lhes uma lição.
Então, fazia surgir o seu Castelo das profundezas, cinzento de tempestades, e punia-os impiedosamente, tanto na água como na terra.
Sugava-lhes a vida, como eles faziam no seu reino.
Matava-os indiscriminadamente, como eles faziam aos seus súbditos.
Afogava-os em morte, dores e lamentações.

Pois ele era Neptuno, Deus Todo-Poderoso dos Mares e Oceanos...

segunda-feira, 7 de julho de 2014



Não me interessa a tua Fé, qualquer que seja, ou se existe ou não.
Interessa-me, tão somente, a minha.

De Ti, interessa-me apenas...
Que tenhas Fé em mim...

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Fogo Sagrado


A fogueira arde
[arde sem parar]
e ela dança
[quase a levitar].

Salta as chamas
[sem se queimar],
e purifica os Desejos,
[continua a sonhar].
Procura na noite
[quem quer amar]
Prometendo beijos
[que solta no ar].
Encontra o Coração
[que a faz vibrar]
E a  Ele se dirige
[Para o abraçar]
Estende-lhe a mão
[para rodopiar]
A dança o exige
[para a segurar].
Ela sorri
[com os olhos a brilhar]
Num mudo convite
[para a beijar]
Ele beija-a
[tem de a provar]
Não há limite
[e rouba-lhe o ar].

A fogueira arde
[arde sem parar]
e ela dança
[para o encantar...]

quarta-feira, 12 de março de 2014

Às vezes, apetece-me...


Desaparecer.
Escorrer.
Como uma gota de chuva
na terra molhada.



Ou voar.
Como a essência
que perde a paciência
e exige
ser libertada.


Ou rir.
Como a serpente
que ri de contente
quando é alimentada.


Ou chorar.
Como a criança
que salta e balança
e cai, magoada.


Ou beijar.
Como o luar
que brilha e toca
a figura enamorada.






Às vezes, apetece-me...
Ser.

Ser Tudo
e
Ser Nada.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ânsia


Anseio por vós,
ainda sem vos ter,
anseio pela vossa vinda,
pelo vosso nascer,
pelo acompanhar
do vosso crescer,
e já vos amo,
sem vos conhecer.

Ainda sem vos ter,
já ouço os vossos passos pela casa,
as correrias que vos levam
da sala ao jardim,
e já vos amo
e tenho-vos em mim.

Estou à vossa espera,
ansiosamente,
e sei que um dia,
vocês virão...
Pois já vos tenho,
ainda sem vos ter,
já vos tenho... no coração...
 
 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Canção de Embalar...

Adormece devagar,
Minha menina,
Que já se foram as gentes,
Já passou a vindima...
 
No Sol que te aquece,
Te doura e envelhece,
Deixa-te ficar a dormir...
 
Ainda o Inverno há-de vir,
Ainda ficarás exposta e nua,
Ainda virão o Gelo
E as escuras Noites sem Lua...
 
E de novo virão as gentes,
Armadas de ferros e dentes,
Para te civilizar...
 
Mas dorme, minha menina,
Adormece devagar...
Que de verde te vais cobrir,
De cachos te vais vestir,
Quando a Primavera chegar...
 
 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Posse

O dia estava quente e solarengo, apesar de ainda ser Inverno.
Avancei pelo bosque de carvalhos e sentei-me numa rocha vestida de musgo macio, relaxada.
Fechei os olhos, ergui o meu rosto ao céu, ao Sol e, em pensamento, chamei por ti...
No sossego da natureza, senti o movimento dançarino de pequenos seres invisíveis, que te aguardavam, como eu...
Esperei.

A pouco e pouco, o longe ficando perto, outro ruído sobressaiu no chilrear dos pássaros e no vôo acelerado de abelhões.
Passos, na folhagem seca que cobria o solo.
Os teus passos.

Suavemente, avançaste ao meu encontro, e aproximaste-te de mim.
Ergui o rosto para ti, abri os olhos e sorri.
Tocaste o meu rosto com ambas as mãos e inclinaste-te levemente, acariciando os meus lábios com os teus.
Entregaste-te no beijo, mais profundo, e em toques meigos, despiste-me e deitaste-me sobre a cama de musgo, quente de sol.

E aí...
Aí me tomaste, aí me fizeste...
Tua...

sábado, 28 de janeiro de 2012

O Caminho



Vejo parte do caminho, mas não lhe vejo o fim.

Sei que as escadas me levarão mais alto, sei e sinto que, ao fundo, há luz e calor...
O descanso merecido, o prémio devido...

Mas, e o resto do caminho, é feito de quê?
Que monstros me aguardam, escondidos nas sombras; que pesadelos se tornarão reais; que obstáculos me enfraquecerão ao longo do caminho?...
Quantas lutas terei de travar até chegar ao reino do sol e do calor?...

Respiro fundo, pensativa, receosa, e lembro-me da frase de Mark Twain: "Coragem é a resistência ao medo, o domínio do medo, e não a ausência do medo."

Então, visto-me de Coragem e armo-me de Amor.

E avanço, pelo caminho...




Foto de Fénix

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Âmbar líquido



Chamam-lhe liquidâmbar...
Âmbar líquido, pela sua seiva resinosa de cor âmbar, aromática, preciosa...

Não lhe colhi a seiva.
Apreciei-a, vestida de Outono, ilustrada pelo Grande Pintor nas cores quentes que são saudades do Verão e anunciam o Inverno frio...

Apreciei a sua beleza, as mil tonalidades de amarelos, laranjas e vermelhos, delicados mas fortes, um grito de luz na Noite que se aproximava...

Não lhe colhi a seiva.
Mas capturei a beleza e o calor e a luz das cores...

Para Te mimar...
Para Ti...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Hora certa



Esperam-se...
Dias luminosos
que aceleram
a maturação...

Ganham-se...
Cores,
odores,
sabores,
em constante evolução...

Não,
ainda não é hora,
não...


No momento certo,
colhem-se
os frutos dourados,
firmes e perfumados
que o Sol beijou,
a Água refrescou
e a Terra criou...

Não,
ainda não é hora,
não...


Mas na hora certa,
o desejo aperta,
a vontade afirma-se,
a decisão é tomada...

Na hora certa...
Com doçura e calor,
com ternura e amor...
Vamos fazer marmelada?...


... ;)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Pintor II

Gosto
de te ver
a pintar...

São promessas...
Promessas cheias
de sabor inebriante,
de cor e perfume,
as que me ofereces...

"Está para breve...",
dizes-me,
e eu sei
que está a chegar...

O Tempo
de te provar,
de te saborear,
de te beber...
De te Amar...

... :)


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pintor



Gosto de te ver pintar...
Devagarinho, nesse teu jeito meigo, enches de cor os meus sonhos...

Gosto de te ver pintar...
Suavemente, ao Sol, desenhas doçura nas tuas promessas...

Gosto de te ver pintar...
Cheio de cor, cheio de Amor, com pinceladas em forma de ternos abraços, gosto de te ver pintar o vinho embriagante dos teus beijos...

Eu sei...



... que o brilho dela não se compara ao dos Teus olhos quando sorris...
... que o perfume dela não se compara ao Teu cheiro doce que me inebria...
... que as pétalas dela não são tão suaves quanto os Teus lábios...

Mas era a rosa mais linda do jardim...
Por isso...

Toma... É para Ti...

... :)

sábado, 16 de julho de 2011

Pressuposto


Pressupõe-se que sejamos iguais.
[E não somos.]

Pressupõe-se que tenhamos de agir "assim" ou "assado".
[E não temos.]

Pressupõe-se que tenhamos de sentir "A", evoluir para "B", estacionar em "C".
[Continuamos a não ter.]


És mais calmo que eu.
Mais fechado, mais sossegado.
Não é essa constatação que me faz ser considerada mais impulsiva, ou menos pensativa, ou menos ponderada... Apenas diferente.

És o monte, firme, forte, onde pouso e que abraço, quando tenho frio e te beijo em mil flocos de neve.
És a terra fértil, pura, quente, vibrante, onde deslizo em carícias frescas das primeiras águas da Primavera.
És o Sol que me aquece, me transforma, me ilumina, e me faz voar e brilhar em nuvens de sonhos e doçura.

És.
És diferente de mim.
És diferente de toda a gente.
És estranho.

Eu...
Sou sólida, eu, mas deliciosamente mutável, e gosto de deslizar por Ti e descansar na Tua beirinha, e ficar a olhar-Te, maravilhada.
Sou doce, eu, sem lágrimas mais salgadas do que as gotas que caiem das agulhas dos pinheiros no degelo.
Sou brincalhona, eu, e faço-me leve, faço-me nuvem, para poder subir até Ti e beijar-Te lá no alto, e cair de novo nos Teus braços... [Orgulhosa de Ti...]
Gosto de me entranhar em ti, de te refrescar, e de nascer de novo em ti, uma e outra vez, sempre a mesma, sempre nova...
Sou água, eu.

Sou.
Sou diferente de ti.
Sou diferente de toda a gente.
Sou estranha.

E é na soma destas diferenças que surge o que somos.
Somos diferentes dos outros.
Somos diferentes de toda a gente.
Somos estranhos.

E é por toda esta invulgaridade, por sermos obras-primas de uma estranha arte de afectos e sonhos e arco-íris, é por sermos raros, preciosos, únicos...
Que somos belíssimos no nosso estar, no nosso ser...


"We are all a little weird and life's a little weird, and when we find someone whose weirdness is compatible with ours, we join up with them and fall in mutual weirdness and call it love."
— Dr. Seuss

terça-feira, 12 de julho de 2011

Noite



Bela, é a Noite que nos guarda...

Durmo, embalada nos Teus braços...
Sonho, o sonho bom que me desenhaste com carícias e coloriste com beijos...

No sossego da Noite, a Deusa, que também é Mãe, abençoa aqueles que descobrem o seu porto de abrigo no coração de alguém...

[A Deusa...
Abençoa-nos...]

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Distância



Estás longe, Amor meu...
Estás tão longe...

A Saudade aperta-me...
[e magoa...]
O meu pensamento está em Ti...
[A Alma voa...]

Oh!... Estás longe, Amor meu, tão longe...

E, mesmo assim...
Sinto o teu calor...

Sinto-Te em mim...

domingo, 10 de julho de 2011

O Sonho



Dormia...
Dormia e sonhava, sonhava Contigo...

Envolvias-me, meigo e fresco, mas ao mesmo tempo, quente.
Quente de ternura, de doçura, de carinho.
Cantavas-me canções antigas de embalar, suavemente...

Era uma sensação boa, a sensação de um sonho bom...

E eu deixei-me estar a dormir, embalada no Teu marulhar, rodeada por Ti, sem querer acordar, sem querer sair desse pedaço de Paraíso que só se encontra em sonhos, sem querer sair do Teu aconchego...

Mas então, acordei.
E Tu estavas ali.

E a Realidade superou o Sonho...

sábado, 2 de julho de 2011

Foz


Ancorei em segurança
[na segurança do teu abraço]
E deixei-me estar, serenamente...

O dia passou, rápido e quente
[Oh!... Rápido demais!...]
Aproximando-se a hora de partir
[E eu não queria, não queria ir...]
E o meu olhar tornou-se salgado...

Sorriste para mim, meu Mar,
e seguraste-me a mão, delicado,
e seguraste-me o rosto, meigamente...
E misturaste,
[com jeito de feiticeiro,
com jeito de alquimista,]
o nosso sal e a nossa doçura
num beijo (e)terno...

E eu perdi-me,
[deliciada]
nesse sabor...
E encontrei-me de novo,
[encantada]
onde te encontrei...

Partirei, sim...
Mas um dia...
Voltarei...

domingo, 29 de maio de 2011

Na beira da lagoa...



... sentei-me...

Na pedra alisada pelo gelo antigo, pelo Tempo, deitaste-te.

A tua cabeça no meu colo, a minha mão no teu rosto, no teu cabelo, em carícias suaves que pintam sonhos e tocam músicas de embalar...

Olhei-te, e com meiguice, a minha outra mão pousou no teu peito e deixei-a estar, a sentir o bater do teu coração...

Ouviam-se as rãs a coaxar, a brisa primaveril nos arbustos, os pássaros que cantavam, em sintonia connosco, em sintonia com o Universo...

Ajeitei-me na pedra aquecida do Sol, inclinei-me um pouco e beijei-te.

Devagar, unimos os lábios, suavemente, docemente...
Num beijo meigo e terno, profundo, cheio de entrega...
Cheio de Alma...
Cheio de Mim e de Ti...

[Quero beijar-te até ao fim dos Tempos...]

domingo, 15 de maio de 2011

De fios e de ternura...

Numa dança de dedos
e de gestos meigos,
ela borda...

Em cada fio,
há um beijo,
em cada ponto,
um desejo...

E pinta,
com agulha e linha,
com amor e doçura,
pedaços de mar,
de céu e de luz,
num tecido macio
de singela alvura...

domingo, 20 de março de 2011

Timidez


Devagarinho...
(é preciso dar tempo)
Envergonhada...
(pois tudo tem o seu tempo)
Ela escuta
(atenta)
o Vento que lhe conta
os segredos de outros lugares...

Receosa...
(pois é frágil)
Cuidadosa...
(para não se ferir)
Ela abre-se,
(delicada)
ela expõe-se,
(encantada)
ao Sol quente
que a beija
e a deixa...
Deliciada...

terça-feira, 15 de março de 2011

Palavras em silêncio


Como Te posso explicar
os mistérios [da minha Alma]?
Como Te posso ler
este livro secreto [que é o meu coração]?

Como Te posso contar,
acerca de sonhos,
de ilusões,
de receios
e paixões?...

Como posso saber
se sequer Te devo dizer?...

[Como explicar o orvalho, a chuva, as primeiras folhas das roseiras na Primavera?
Como explicar o mundo que nos rodeia?]

Não sei dizer...
Não sei explicar...
E assim,
deixo-me estar
em silêncio...

Num silêncio
enamorado,
sonhado,
um pouco receoso,
um pouco tímido.

No silêncio
dum olhar,
[connosco
de mão dada],
de beleza adocicada,
de toque terno,
de beijo eterno...

E nesse silêncio...
Saberás...
... O que eu não Te consegui dizer...



terça-feira, 8 de março de 2011

Aqui...





Quero-te aqui...
Ao meu lado,
De mão dada comigo,
Ou num abraço encantado.
A ver os acrobatas
desenharem
e dançarem
com gestos meigos
e toques macios
os nossos Sonhos
no Vento...

domingo, 6 de março de 2011

De que são feitos...


... os sonhos?

Do teu olhar, da tua voz...
Dum toque...

Dum riso,
duma gargalhada...

Duma flor que colhi para ti
numa noite perfumada...

De...
Tudo...

De...
Nada...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mar do Norte


Hoje, queria...

Ser uma garrafa
deitada ao mar, à sorte;
Brincar numa onda
do mar do Norte
e deslizar em Ti,
na tua pele de areia dourada...

Perder-me nos teus braços
e viver nos teus sonhos
de sol e céu e praia
e riso e brisa
e ternura encantada...

Hoje, queria...
Estar em Ti...
E por Ti ser...
Amada...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Choque...

... negação...

... raiva...

... depressão...

... e aceitação...




Em que parte(s) do processo se libertam lágrimas?...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Remember...



Lembras-te?

Tinhas um sonho, e era belo.

Lembras-te?...

Estava semeado de estrelas e flores
e cheiros e sabores,
e era simples e eterno.
Frágil
e
inquebrável.

Lembras-te?
Lembras-te desse sonho?

Construído devagar,
pedaço de terra,
pedaço de mar,
forrado de calor
e embrulhado em veludo...

Lembras-te?
Lembras-te desse sonho?

Recupera-o.
Limpa-o do pó que a Idade lhe trouxe,
da ferrugem com que o Tempo o tapou,
das marcas que o Mundo deixou.

Limpa-o.
Recupera-o.

E então, voltarás a ser...
Feliz...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Plenitude


Não sinto o coração pleno.
Não sinto o coração.

Fundiu-se na minha Alma, que enriqueceu, e se tornou mais e maior.

E toda eu sou luz, toda eu sou Amor, apenas porque me deste...

Um beijo doce como mel...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ruínas


Outrora, era uma casa cobiçada, desejada, demonstração de luxo e charme...

Agora, é apenas uma casa vazia, perdida, sem dono, sem desejo, sem sonhos, à deriva no mundo...

Outrora, fora abrigo, fora protecção, fora força, e estava repleta de sons, ouvia-se o mar...

Agora, está cheia de silêncio, de nada.




A casa está abandonada há muitos anos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Passos


Caminhamos, em jeito leve, mas deixamos sempre marcas onde passamos.

Deixamos marcas nas pessoas, nos lugares, no ambiente que nos rodeia.

Os outros também deixam marcas na nossa vida, no nosso ser...

Mas por vezes, vem o mar, vem o tempo, vem a vida, e aqueles que nos marcaram profundamente, esvaiem-se na espuma do nada, do esquecimento.

E serenamente, sem saudade, sem marcas... A Vida continua...

domingo, 3 de outubro de 2010

Encontro


Encontrei-te assim, num qualquer lado, num qualquer acaso.

Senti a tua força, e senti as tuas feridas, naquela armadura que mostras a quem não te vê por dentro.

Deixei-me estar assim, a teu lado, sem saber o que fazer.

Tentar curar-te, ou deixar que o faças sozinho?

Será a minha cura mais rápida e igualmente eficaz?
Será preferível venceres essas dores sozinho?

Fiquei sem saber o que fazer.

Então deixei-me estar, simplesmente, a teu lado.
Na presença simples e serena dum abraço...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Black & Blue



O dia era de Verão.
Prometia Sol e cores e brilho.
Prometia Vida...

Maliciosamente, ele apareceu.
Insinuou-se devagar, saltando barreiras e avançando...

Carregado, apaixonado, forte, viril.
Vermelho e furioso, agressivo, devorador.

E passou.
Passou por ela, que prometia maturidade, beleza, sabor.

Não a deixou, inocente que era, ficar indiferente ao seu calor, ao seu ardor.
Experimentou-a.

Ela tentou resistir, mas ele era mais forte.
Venceu-a.
Devorou-a.

E partiu, saciado, satisfeito, alimentado, deixando-a no negrume e na tristeza de se ter perdido.

Mas partiu, sem perceber que ela não lhe cedera totalmente, que apesar de tudo, das cicatrizes, das marcas, da dor, ela iria sobreviver...

E renascer na Primavera seguinte...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Abraço



Adoro estar abraçada a ti e sentir o teu coração a bater juntinho do meu.
Adoro a sensação que o teu abraço me dá.

Que sou pequenina e tu cuidas de mim.
Que sou forte e cuido de ti.

Que estamos juntos, unidos.

Que somos...
"Nós"...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Beija-me...


... assim, devagarinho...

Em resposta a um beijo meu,
partilha um teu...

Enlaça-me
e abraça-me,
deixa-me pousar em ti,
assim, suavemente,
na palma da mão;
deixa-me mergulhar em ti,
assim, docemente,
no teu coração...

Beija-me...
Beija-me, assim...

Quero um beijo
que seja quente,
apaixonante,
de amigo,
de amante,
de despedida,
de chegada...

Beija-me,
Beija-me, assim...

E eu dar-te-ei um beijo meu...
Em jeito de brisa,
em jeito de borboleta,
em jeito de fada...


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Eterna Noiva


Ela vestiu-se de Branco
(Mais tarde,
mais logo,
ou noutro dia,
de Negro se cobriria)

E correu para o jardim.

Crianças brincavam
Dançavam em jeito de roda
E ela foi para o meio deles,
para o centro do círculo,
do anel que eles formavam
(Ela,
já adulta,
vestida de branco,
vestida de noiva,
no meio deles)

e abriu os braços e rodopiou
no Sol do Meio-dia
(Mais criança que adulta,
mais dor que alegria).


Dançou e rodopiou
e girou e saltou
(Ela,
a Sempre Noiva,
a Noiva Eterna,
a Noiva Louca)

Enquanto as crianças
giravam
e dançavam
e cantavam
"Olha a triste Viuvinha
Que anda na roda a chorar..."

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Princesa Emma


Menina delicada mas forte,
companheira,
amiga presente apesar da distância...

Tens tornado certos dias mais fáceis de passar! ;)

Obrigada, miúda, por existires. :)


Parabéns, Princesa Emma, que contes muitos e que nunca te faltem conchanatas nem praia nem sol nem Felicidade!!! :)



Beijinhooooooooooos :)

sábado, 27 de março de 2010

Ausência


Lentamente, uma pétala caiu.

Dançou na brisa, em jeito de valsa lenta, e pousou suavemente na terra mexida dos labores da Primavera.

Outra se lhe juntou, e depois outra, e ainda outra, e em pouco tempo o solo agreste ficou salpicado de pétalas rosadas que lhe emprestavam uma doçura colorida.

A amendoeira chorava a tua ausência, chorava por ti, e eu...
Chorava com ela...

sábado, 20 de março de 2010

Promessas...


Onde estás tu, meu Amor?...
As amendoeiras já estão em flor...

Ficaram promessas por cumprir,
Promessas de risos e passeios
Em terras áridas de barro e xisto...

Onde estás tu, meu Amor?...
As flores já estão a abrir
e quando as pétalas começarem a cair...

É chegada a minha hora de partir...